* Por Juliana Saporito
A atividade das empresas que atuam no ramo dos cosméticos e produtos de higiene pessoal é essencial para movimentar o mercado, em crescente desenvolvimento. Mas não é possível falar destas empresas sem antes citar a ascensão das companhias responsáveis pela produção de matéria-primas; sobretudo as essencialmente nacionais – como as provenientes da Amazônia –, que são consideradas “vedetes” do mercado.
Este ó o caso da Beraca, empresa nacional, que nasceu em sistema familiar e hoje é uma das principais vendedoras de insumos para a produção de cosméticos e artigos de higiene pessoal do país. Trabalha, segundo Ulisses Sabará, presidente da empresa, com as principais e mais renomadas empresas do país e com muitas importantes marcas do exterior.
“Trabalhamos com o ativo do produto, o ingrediente cosmético”, explica Sabará, que foi um dos palestrantes do 57º Fórum de debates Projeto Brasil. O evento discutiu a indústria da beleza.
Amazônia: importância social e de mercado
Para Ulisses Sabará, há desafios e valores na tradução da imagem da Amazônia, que tomam corpo na forma de ingredientes naturais para a indústria cosmética mundial. A região é a maior fonte de biodiversidade do planeta, conta com 16% de toda a água doce presente no globo e, no entanto, possui densidade demográfica baixa, com apenas duas pessoas a cada dois quilômetros quadrados.
A Beraca, paranaense, apostou na região: investiu em uma fábrica em Ananindeua, no Pará, na região amazônica. “Iniciamos um investimento e é difícil; nem sempre se consegue subsídios. Mas estamos funcionando”, contou Sabará. Com a atividade da fabrica e a continuidade do trabalho já realizado na floresta, a idéia e ir de encontro aos desafios. “O principal desafio é a escala industrial; é transformar projetos em produtos, ensaios científicos em realidade. E a confiabilidade da relação é essencial parra garantir o fornecimento”, comentou. O fornecedor, no caso, são os ribeirinhos, que vivem em comunidades espalhadas pro toda a região. Não há cooperativas oficiais, mas há líderes responsáveis pelas negociações e por tratar dos interesses dos trabalhadores.
Frente a tantas particularidades, além de trabalhar com responsabilidade ambiental, é preciso atuar com responsabilidade social, junto às comunidades da região.
“Estas pessoas e a floresta já foram exploradas, muitos projetos começam e não terminam. A cada ano aparecem novos projetos e nada se move. O povo não vai parar para fazer cultivo e coleta se não achar que você é serio e vai ficar. E essa confiança vem com o tempo. A transparência permite negociar com o líder o óleo da melhor qualidade", argumentou Sabará.
A partir do momento em que se apresenta uma alternativa de subsistência para quem vive lá, como a colheita das raízes, galhos, sementes e seivas – o negócio da Beraca – a sustentabilidade mostra-se um ótimo negocio para toda a cadeia, de acordo com Ulisses Sabará.
"Na repartição de beneficio, gerar renda é mais que ‘dar’ as coisas, é promover o espírito do empreendedorismo. Pode ser no formato de microcrédito e agregação de valor. Você tem que confiar no líder comunitário para fazer um adiantamento e minha experiência nos 30 anos em que trabalho diz que o que vale mesmo é ‘olhar nos olhos’ e saber que o investimento vai voltar”, finalizou o presidente da Beraca.